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A crise dos quase vinte

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Daqui a alguns dias entro para casa dos vinte, e isso me fez pensar, e muito. Cai num mar de pensamentos clichês, daqueles que a gente não consegue evitar. Tentei me convencer de que é só mais um ano e que, provavelmente, isso não muda nada. Mas é penoso pensar que tenho quase vinte e ainda não sei o que quero fazer da vida, tenho quase vinte e ainda não escolhi que faculdade fazer, tenho quase vinte e enrolo para começar a fazer o que eu gosto de verdade, tenho quase vinte e ainda nem sei o que quero de verdade.

Isso não me atormentava tanto aos dezenove, por que ainda tinha aquele pensamento “sou adolescente, tenho muito tempo ainda”, mas agora, vendo todo mundo dar ruma a sua vida menos eu, é meio deprimente.

O que me conforta é saber que não sei um rumo na minha vida por que quero fazer a coisa certa e que isso é melhor do que fazer algo apenas por fazer e ficar a vida toda reclamando.

Mas o que me assusta mesmo é pensar que não vou ter 19 para sempre, nem 20 para sempre, que o tempo passa, e cara, como passa. Às vezes me pego pensando em quando tinha 15 anos e troquei de escola, quando tinha 10 e entrei para a quinta série, ou quando tinha 5 anos e a minha preocupação era com qual brinquedo iria brincar primeiro.

Agora, nesse momento, olho no espelho e penso na pessoa que me tornei, penso nesses 20 anos, ou em todos os anos que consigo me lembrar, em todas as minhas atitudes, e chego à conclusão que poderia vir mais vinte anos e eu não mudaria nada.

O mais engraçado é que só tenho esses pensamentos em véspera de aniversários, e quando o próximo dia nasce tudo volta a ser como antes.

Madrugada

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Eu deveria estar dormindo, mas estou aqui ouvindo música, me imaginando cantando com toda essa potencia vocal. Eu deveria estar dormindo, mas ao invés disso estou aqui, deixando meus dedos percorrer tranquilamente o teclado, fazendo as palavras correrem soltas, e quem sabe, virarem um bom texto. Na verdade, ao invés de contemplar os coraçõezinhos no canto da página eu deveria estar sonhando, deitada na minha cama, de baixo do meu edredom de borboletas (ironicamente, detesto borboletas e, ironicamente está calor então eu nem deveria estar dormindo com um edredom, mas na verdade mesmo eu nem deveria estar acordada, mas estou).

Ao invés de estar dormindo eu apenas corro procurando o carregador do notebook – a triste consequência de deixar a bateria acabar. Se eu estivesse dormindo não teria que me preocupar com isso. Nem com isso e nem com mais nada.

Mas me preocupo! Me preocupo em tentar convencer um amigo que não vai ter nenhum show bom por aqui esse ano, me preocupo, por que tenho que acordar cedo amanhã (ops, hoje), imagino o triste momento de sair da cama amanhã e abandonar as borboletas do meu edredom.

Na verdade mesmo (agora é sério), eu queria ter mais momentos de devaneios como esse, onde posso deixar minha imaginação e meus dedos correrem soltos, sem motivos, sem preocupações, apenas correrem soltos, escrevendo qualquer bobagem, qualquer palavra boba que vem na cabeça. Acho que todo mundo deveria fazer isso as vezes: ficar acordado a madrugada apenas escrevendo bobagens. Acho que eu mesma deveria praticar isso mais vezes. Mesmo quando eu deveria estar dormindo.

Minha história de amor com São Paulo

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Todo mundo tem alguma história de amor com São Paulo, e como hoje é aniversário da cidade ( tá foi ontem, terminei o texto depois da meia noite haha) vou contar a minha história. Na verdade é um amor platônico, por que eu não moro na capital, moro numa cidade do interior (60 km de SP) chamada Jundiaí e nem fui tantas vezes assim pra SP pra ter o que contar, por isso é platônico.

Eu sempre tive uma ideia sobre SP bem diferente do que todos dizem, eu tenho muitos amigos que moram lá, e todos eles dizem que é uma cidade bem corrida, até tenho uma amiga (beijos Karen) que ficou impressionada com o sistema de transporte de Jundiaí, por que aqui, sempre que um ônibus para no ponto nós conseguimos entrar, lá não, ela disse que às vezes espera vários ônibus ou metrôs pra conseguir um que dê pra entrar. Mas, nada disso pra mim tinha importância (até por que sempre peguei o metrô relativamente vazio). Pra mim o que importava – e ainda importa – é que SP é a cidade das oportunidades, da diversidade, das grandes coisas, dos artista, das grandes movimentações.

Talvez eu pense assim por que não moro lá, por que não vivo a vida louca das pessoas de lá, mas mesmo assim, ainda acho que essa cidade tem um ar diferente, uma movimentação artística que não vemos por aqui, pessoas que não vemos por aqui. Uma coisa que gosto de fazer quando estou no trem e no metrô é observar as pessoas, gosto de notar nas roupas que usam, nos livros que leem, tento imaginar o tipo de música que estão ouvindo, gosto de fazer isso na estação também e nas ruas. Não consigo fazer o mesmo aqui por que, pelo menos pra mim, as pessoas são todas iguais.

São Paulo também me lembra de minha conquista pela liberdade. Sim, liberdade! Foi quando teve a Bienal do Livro em 2012 e fui com uma amiga de trem, nada de mais, mas como tenho uma mãe super preocupada, ir para São Paulo se torna uma tarefa mais complicada, por que cidade grande, aos olhos de minha mãe é uma selva de pedra!! Mas quando disse que ia ela disse apenas “tudo bem, sabe como ir, como chegar?”, eu respondi “Claro, mãe, relaxa”. Só por curiosidade eu decorei o mapa metropolitano da CPTM pra ocasiões como essa hehe.  Acredita que pra mim esse simples sim foi a coisa mais incrível do mundo. Também foi a primeira vez que entrei na estação Barra Funda e Tietê! Ah, também vi um violinista tocando na Barra Funda e achei lindo!

E tem mais, o ano passado prestei vestibular em duas faculdades de São Paulo e fui de trem por que era mais fácil, foi a primeira vez que andei de metro. SIM, a primeira vez!!!! Imagina a minha cara de impressionada!! Parece bobo, mas eu acho metrô a coisa mais incrível do mundo!!!  Todos os estudantes torcendo pra passar na prova e eu torcendo pra não me perder!! Além de estar boba com tudo né!! Grandes prédios, lugares bonitos, colocar o pé na faixa de pedestre e os carros pararem!!

Sem contar as inúmeras pessoas que conheci  e amigos que fiz indo em eventos que acontece pela cidade todos os anos e o ano todo.  Parece tudo muito bobo, mas eu realmente gosto dessa cidade, das pessoas diferentes, dos grandes lugares, até do cinza, visto de fora parece lindo.

Vazio

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Sabe aquelas pessoas inteligentes? Então, ela não era uma delas. Sabe aquelas pessoas criativas que sempre inventam algo legal? Então, ela também não era assim. E aquelas pessoas desinibidas que falam bem e sorri sem medo? Ela não era assim. Ela não escrevia bem, seus textos eram vazios, clichês. Ela não era engraçada, ninguém ria das suas piadas, também não era a primeira da sala, nem conseguia ler tantos livros em pouco tempo. Ela dizia que estava preparada, mas nunca estava. Ela dizia que se esforçava, mas ela sabia que não era assim. Ela dizia que sabia fazer muitas coisas, mas na verdade ela nunca foi posta a prova, ela sempre fugia. Fugia por que não queria ser desafiada, não queria ter suas duvidas confirmadas, não queria deixar explícito seus medos.

Ela sabia que não podia fugir por mais tempo, mas ela evitaria esse momento o máximo que conseguisse, se pudesse. Mas sempre houve momentos em que ela teve que provar, e o final disso eram muitas lagrimas e um travesseiro ensopado. E mais uma vez ela se escondia, por que, na mente dela, era mais fácil do que ter que se decepcionar novamente. Ela sabia também que não poderia viver por muito tempo nessa situação, mas ela também não sabia o que fazer, por que ela sabe que não sabe fazer nada. E assim vai sendo os dias dela, de sorrisos fingidos, piadas prontas e a ilusão – ou será esperança?- de que ela, um dia, talvez, possa mostrar (e descobrir) o que ela realmente sabe fazer.

Tempo

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A chuva batia forte na janela, as árvores lá fora balançavam bobas e ela na vidraça apenas olhava. Olhava a água escorrer pelo vidro formando desenhos abstratos, olhava as nuvens pesadas e o céu escuro e bravo, aproveitou e olhou pra dentro dela. Olhou as nuvens que se formavam dentro dela com o passar dos dias, carregadas de indecisão. Ela se sentia como o tempo lá fora, brava a ponto de descarregar, mas não brava o mundo a sua volta, estava brava com o mundo que havia dentro dela, com a vida que se formou dentro da cabeça dela, brava por não ter feito aquele mundo virar exterior, por não fazer sua vida interna ser verdade lá fora também.

Havia tempo ainda pra se fazer isso, ela sabia, havia todo tempo do mundo, mas, assim como não se pode controlar o tempo, também não se pode controlar o tempo interior, sim, ela já tentou, ela também sabia. Ela apenas queria sair, queria tomar aquele mundo, sair sem rumo, ver tudo o que sonhou – era um sonho pequeno – ela queria apenas por sua cabeça para funcionar, despertar aquilo que estava preso no lado direito do seu cérebro e que ela reluta tanto para soltar.

Parecia fácil pensar “vá lá, apenas faça”, mas quando ela dizia essas mesmas palavras em vós alta tudo mudava, parecia bem mais fácil que pensar, mas se para ela, pensar as vezes era penoso e ela, mesmo assim ,conseguia,  por que era tão difícil fazer as coisas que pensava? Esse era o grande problema dela: na sua cabeça havia mil mundos paralelos, com mil civilizações diferentes cada, mas nada saia de lá de sua cabeça, parece que até seus pensamentos relutam.

E a nuvem ia crescendo e, por não saber o que fazer, ela apenas olhava o tempo lá fora, desejando ter a mesma força daquela chuva.

Não espere o ano acabar

Falta um pouco mais de um mês pro ano acabar, falta pouco pras pessoas começarem com suas promessas de fim de ano, pessoas que estimam um ano melhor, que prometem começar aquele regime, aquele curso, aquela faculdade, mudar sua vida pessoal, profissional, mudar sua rotina!
Como o ano só começa após o carnaval, as promessas ficam pra depois, e depois e depois. Chega maio e as promessas ficam pro segundo semestre. Chega agosto e as energias destinadas às mudanças estão se esgotando, e tudo vai sendo empurrado até chegar dezembro, e novas promessas são feitas. E o circulo vicioso prossegue. Até quando isso? Até quando as pessoas entenderem que começo e final de ano são apenas datas, os ciclos estão dentro de nós, nós somos responsáveis pelas nossas mudanças internas.
Não importa o ano, se você não mudar seu emprego sempre será chato, sua vida sempre será uma rotina, você sempre fará as mesmas coisas.
Grandes mudanças não acontecem com a passagem do ano, acontecem quando nós decidimos mudar nosso ciclo interior, e para de pensar no que gostaríamos de fazer e apenas fazer.
Não espere o ano acabar, se você quer realizar alguma mudança, apenas faça! Mesmo se for 31 de dezembro.

Pra falar de amor

E lá estava ela, encostada na cama com ele deitado em seu colo, olhos fechados e os longos cabelos caídos pelo rosto, rosto que agora ela contemplava, fino e branco e os lábios em forma de coração. Ela pensa como foi que nos conhecemos mesmo?

Ah, sim! Ela lembrou, foi naquele jogo de aventura simulada há quase dois anos. É claro que ela nem esperava por isso, até por que, eles acabaram de se conhecer.

Fim de férias, ano novo, escola nova, hora de fazer a matricula e olha só quem está lá, é ele! Os dois estavam matriculados no mesmo curso, na mesma turma. Menos mal, ela pensou, pelo mesmo um conhecido.

Inicio de aula, novos amigos, velhos conhecidos. Conversa vai, conversa vem, descoberta de coisas em comum. E eles viraram amigos. Dias passam, semanas passam, brincadeiras, risadas, olhares…

Um comentário com alguma amiga “Ele é bonito, mas é só meu amigo”. Mas ela já não sabia se considerava ele só um amigo, havia algo naqueles olhos caídos e cara de bobo que fazia seu coração bater mais forte, algo naquele sorriso a hipnotizava, e ela não sabia dizer se aquilo ainda era amizade. Mas e se pra ele fosse só amizade? Ela não queria correr o risco, achou melhor deixar tudo como estava.

Ela não sabia, mas ela não queria deixar tudo como estava. Ela não sabia, mas ele gostava dela. Ele não sabia, mas ela gostava dele.

Eles se encontraram no final de semana, conversa vai, conversa vem e ele decide tomar a iniciativa “Ei, tenho uma coisa pra te falar. Eu estou a fim de você”. Primeiro beijo, primeiro encontro, primeira trocas de olhares reciproca (e as outras não eram?).

Ela ainda o beija como se fosse a primeira vez, ele ainda a trata como se quisesse conquista-la. Do amor eles entendem.

Incondicional

Mesmo você me enlouquecendo todos os dias, mordendo tudo o que vê pela frente, eu ainda te amo, incondicionalmente. Mesmo quando eu chego em casa com aquele casaquinho cinza que você adora morder, e morde mesmo, alargando toda manga dele, eu te amo. Mesmo quando você chega mordendo meu cabelo e lambendo minha cara, isso alias eu amo.  Eu te amo até quando você apronta, quando você rasga o jornal ou tenta arrancar o laço do meu chinelo. Até quando você me faz chorar quando você fica doente, por que você adora comer tudo o que vê pelo quintal e acaba ficando com uma intoxicação. Eu amo quando eu sento no chão e você vem correndo pro meu colo, lambendo meu rosto ou se aconchegando nos meus braços.

 Esses dois últimos meses foram incríveis: é impossível descrever o quanto fico feliz quando, ao sair de manhã de casa, você vem me dar um bom dia e pular no meu colo. Ai você dorme o dia inteiro e a noite fica acordada, roendo seu osso. Eu te amei desde a primeira vez que te vi, chegando em casa, com a pessoa que te salvou (pai), chegou brincando, pulando, como se fosse de casa. É difícil escrever sem sentir os olhos lacrimejando e a garganta apertada.  Simplesmente por que, mesmo depois de ficar o dia todo fora de casa, você ainda me espera, me faz festa e me olha de um jeito, tipo assim, “tudo bem, eu estou aqui”.

Sobre mudanças e outras coisas

Seis e meia da manhã, neblina, mas o céu promete um dia de sol, mesmo sendo comecinho de inverno.  Ônibus vazio – coisa rara. Mais meia hora de espera até o próximo ônibus. De repente aquele frio corta a barriga – e o coração – estranho pensar que aquela rotina está próxima do fim, mesmo sendo por uma boa causa. Os pensamentos de pesar são trocados pelo ritmo indie da música. O ônibus chegou esse sim, lotado como de costume. Chega o destino final: correria, coisas para consertar, chamados para atender, risadas, uma pausa para o café, uma piada quem sabe. Meio dia, nossa já meio dia! Almoço. Corre para o próximo ônibus, a balada indie tocando, tentativas de ligações frustradas para o namorado, corre pra outro ônibus, mais dez minutos e chega o destino final. Risadas, desenhos, correções e uma sensação de conforto no coração. Três e meia. Pega o próximo ônibus, ligação para o namorado, outro ônibus, casa em fim! Uma olhada rápida nos e-mail corre para o banho, van, escola.

Ah, a escola! Ultimo dia! Chega, troca algumas palavras com um colega, o único a ir, espera alguns minutos, fita o corredor extenso e vazio, aquele mesmo corredor percorrido varias vezes, indo pra aulas, saindo de aulas, fugindo delas com alguma amiga. Uma olhada nas pessoas: o cara com estilo hard anos 90, o “tio” que sempre estava com ele, alguns professores. Sala de aula, ultima olhada nas notas, um tchau meio sem jeito aos professores: “tchau, até um dia ou sei lá”. Esperar uma hora pelo “perueiro”. Uma olhada final a escola vazia. Não houve despedidas, nem abraços apertados, nem lagrimas e nem choro. Foi melhor assim, ficou a esperança de um próximo encontro pra dar um tchau, ou pra ter a certeza que esse será adiado por muito tempo.