O dia em que eu fui legal

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Tudo começou quando eu decidir ver, pela segunda vez, o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Quem já viu sabe que é daqueles filmes que meche com a gente, que no final da vontade de ser Amélie pra sempre. Pois bem, sexta-feira me lembrei desse filme e decidi seguir os passos da francesa: mandei uma mensagem pra minha mãe e pedi para comprar um pacote de bombom que segunda-feira eu ia dividir com meus colegas de trabalho. Na segunda cheguei sorrateiramente na sala e coloquei um bombom em cada mesa e sai com um sorriso de orelha a orelha.

Na minha cabecinha o pessoal ia ver o bombom, ia descobrir quem foi, agradecer e comer. Ponto. Pois não, não foi assim. Nesse dia descobri o que eu acho que todo mundo já sabia menos eu: as pessoas tem que ter um bom motivo para serem legais, para fazer coisas legais. Você não pode simplesmente chegar e sair distribuindo doces por aí se o seu final de semana não foi, no mínimo, excelente, ou se você não ganhou na loteria ou se você não encontrou um novo amor. Não dá pra ser só legal, tem que ter um motivo pra isso.

Eu não me lembro bem qual explicação eu usei pra justificar minha atitude, acho que para cada pessoa eu falei uma coisa diferente. Parecia besta de mais falar “por que eu quis, oras” ou contar que foi por causa de um filme, e olha que esses eram os motivos reais.

Nessa, eu fiquei a tarde toda pensando: 1) qual é o problema das pessoas? 2) porque um motivo simples não é plausível o suficiente? 3) eu também gostaria de ter ganhado um bombom de alguém ~chora~

A verdade é, eu sempre achei que a felicidade fosse um estado de espirito: sempre se está feliz, nem sempre contente e saltitante, mas feliz e que se você não está feliz o tempo todo então, você está triste (dãã) e estar triste o tempo todo é um grande problema, não é normal. Então, se é normal estar feliz por que, raios, eu tenho que justificar uma atitude feliz?

Na segunda eu acordei atrasada, meu cabelo estava num bad day, eu não estava vestindo minhas roupas favoritas, não ganhei na loteria e meu final de semana foi normal, mas nada disso me fez menos feliz. Eu não estava saltitante, efusiva, contentona nem nada, só seguindo o curso natural (pelo menos pra mim) da vida.

Foi nessa segunda hostil que eu descobri o porquê de ter tanta gente chata no mundo: às vezes é muito cansativo ser legal.

Minha lição pra vida toda: nunca deixe as pessoas saberem que é você a pessoa que sai distribuindo chocolate por aí :)

Imagem: Tumblr

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6 comentários sobre “O dia em que eu fui legal

  1. Creio o problema é que na maioria do tempo as pessoas não são legais conosco e quando são assim do nada é realmente um choque e procuramos uma razão por trás disso. Penso que felicidade e tristeza não são os únicos estados de espírito que podemos ter mas que pra ser legal não é necessário estar feliz. Continue praticando ser legal msm q seja apenas agradecer por algo que não precisaria de tanto ou elogiar alguém por algo aparentemente sem tanta relevância, estas coisas fazem diferença na vida dos outros e da sua.

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