3 livros que mudaram minha vida

Tudo começou quando eu tinha uns três ou quatro anos e minha mãe comprou uma coleção de livros de um cara que passou na porta de casa vendendo, vinham uns cinco livros de contos clássicos e um disco (sim de vinil, sim sou velha). Os livros eram lindos e tinha desenhos lindos e minha mãe lia para mim algumas histórias antes de eu dormir até que eu aprendi a ler e comecei a ler a histórias para ela dormir (mas, eu só aparecia quando ela já estava dormindo).

Foi aí que meu amor por livros começou e alguns deles foram tão importantes que, eu não seria eu sem esses livros.

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 1- O Soldadinho de Chumbo:
era um dos livros da coleção que eu falei. A principio eu gostava dos desenhos, eram lindos e muito bem feitos. Não eram desenhos ao estilo “livro infantil” e era disso que eu mais gostava. Depois que eu aprendi a ler, esse foi a primeira história que eu li sozinha e eu lia ela várias e várias vezes.

2- Harry Potter: acho que mudou a vida de várias pessoas da minha idade haha. Eu cresci com a história e com os personagens, foi a primeira coleção que eu li, foi os primeiro livro “grande” que eu li, fiz amigos por causa de Harry Potter, na escola eu era conhecida, principalmente, por ser uma potterhead (na época chamados de pottermaniacos). Enfim, se eu sou o que sou hoje, foi por causa dessa história.

3- O Magico de Oz: li esse livro o começo do ano e acho que foi o momento certo pra isso. A história trás três personagens que estão em busca de coisas que eles jugam essencial para sua felicidade e vão até Oz pedir isso. O Leão, que se acha covarde e está em busca de coragem mas, ele passa por várias situações que que exigem coragem da parte dele e ele consegue passar por todas. O Homem de Lata busca um coração por que ele quer ser bondoso, mas em vários momentos ele mostra ter bondade mesmo sem um coração. E o Espantalho que gostaria de ter um cérebro para ter boas ideias e poder pensar, mas, durante a história, ele  livra seus amigo graças a ideias que tem. Todos eles almejam coisas que, na verdade, eles já possuem. Eles precisam, na verdade, da confirmação de que eles têm coragem, bondade e inteligência, porém eles estão tão cegos a procura de algo material que comprove isso que os três acabam não percebendo todas as provas que passaram durante o caminho até a Cidades das Esmeraldas.
E não é isso que acontece com a gente, no mundo real, quase todos os dias?

Os livros são tão conhecidos que achei que não teria necessidade de resenhar cada um deles.
Tudo o que sou hoje, com certeza, é graças a esses livros :)

Esse conteúdo fez parte de um “Blogagem coletiva” do Rotaroots, mas eu não fiz na época e decidi fazer agora :)

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O livro que nunca será um livro

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Já fazia uma semana que Tomás havia sumido e, nesses últimos dias desejei que São Paulo não tivesse tantos parques, praças, lugares undergrounds e todos esses cantos que ele adorava se esconder. No começo eu sabia que ele só queria um tempo para por a cabeça no lugar, ele é desses que entra e sai de órbita em questão de segundos. Sua natureza precisava desse tempo.

Já era cinco da tarde quando Samanta e eu sentamos no banco de uma estação de metrô, o horário de pico estava chegando e decidimos esperar passar toda a muvuca, seria de mais ter que aguentar tudo isso depois de andar pela cidade toda. Decidimos rever nossa lista de lugares possíveis que Tomás poderia estar.

Fiquei pensando, se eu fosse fugir para algum canto, seria muito fácil me achar, provavelmente eu estaria na minha antiga cidade ou algo assim, nada muito longe ou complicado ou cheia de metáforas e todas essas coisas que eu não entendo muito bem.

Todos os principais lugares nós já checamos, os cantos mais afastados também, ele sempre morou em São Paulo e não tinha parentes muito distante com quem conversava, então seria pouco provável ele ir para outra cidade. Eu já estava cansada de tudo aquilo e com certeza Samanta também estava, não tinha nem um outro lugar para ir, pelo menos não que a gente saiba.

Ficamos quase três horas lá sentadas, olhando para as pessoas que passavam, para os trens que iam e voltavam e para os trilhos. Lembrei-me de um dia que estava com Tomás e Samanta numa linha férrea abandonada, ele se equilibrava nos trilhos e contava para gente o quanto ele gostava da metáfora que era tudo aquilo. Era uma das frases favoritas da mãe dele:

– Vê se anda na linha Tomás, não quero ter que brigar com você por coisa boba – dizia dona Carmem toda vez que ele voltava muito tarde para casa ou algo do tipo.

Mas, para ele andar na linha era algo a mais, era como se aventurar, nunca se sabe quando um trem vai passar ou para onde aqueles trilhos iam dar.

– Tomás, elas vão dar exatamente em alguma cidade ou em algum bairro, em alguma estação e de lá as pessoas vão para suas casas e tal – dizia eu, toda vez que ele vinha com essa.

– Alice, Alice, você não entenderia nem se eu esfregasse na sua cara – dizia ele com aquele sorrisinho debochado – Você não pode pensar assim, às vezes você tem que pensar que os caminhos nem sempre te levam a lugares tão seguros. E se esses trilhos levarem a gente pra um lugar abandonado ou algo do tipo?

– Acho que a gente devia ir ver, só pra deixar a Alice com medinho – gritou Sam já bem a frente de nós.

Os dois começaram a correr e eu, claro tive que correr atrás, era isso ou ficar naquele lugar sozinha, no meio do nada e no escuro. Acabou que chegamos numa estação abandonada bem como ele queria. Vagamos um pouco por lá, chamamos um taxi e fomos embora. Nenhum dos dois disse uma palavra, mas, naquele instante, tanto eu quanto eles sabíamos que, finalmente, eu comecei a entender um pouquinho todas aquelas metáforas que ele tanto falava.

Já eram oito horas quando decidimos ir embora, estávamos cansadas e amanhã tínhamos que ir para faculdade, as provas finais estavam chegando que não dava mais para faltar.

 

Texto de um parte de um livro que eu pensei em escrever mas nunca terminei. ps.: o Tomás morre.

Resenha: Para onde ela foi

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Continuação do best-saller Se eu ficar, “Para onde ela foi” conta a história pós-acidente da Mia, porém pela perspectiva do Adam.

Já faz três anos que Mia saiu da vida de Adam e a vida dos dois mudou completamente: ela foi para a famosa escola Juilliard, em Nova York,  estudar música e ele virou um astro do rock junto com sua banda.

Adam se tornou um super astro do rock e meio depressivo, até se afastou da música após seu termino com Mia, mas “superou” e com isso escreveu músicas para o álbum que deixou a sua banda famosa.

Um dia, Adam estava sozinho em Nova York e descobre que Mia irá se apresentar na cidade (isso alguns instantes antes do show) e ele decide ir vê-la, porém sem ser visto. O destino acaba reunindo os dois novamente e, em uma noite/madrugada os dois vagam por NY, Adam sempre em busca de respostas para questões que sempre o atormentou, como por que Mia o abandonou.

O livro tem o mesmo ritmo do anterior, alternando em passagens do presente e do passado da vida dos dois. Eu gostei bastante do livro, fiquei um raivinha da Mia e no final fiquei com gostinho de “quero mais”, eu estava esperando uns dois capítulos a mais haha. Gostaria de falar mais, mas aí seria spoiler haha

Se eu ficar foi escrito pela Gayle Forman, publicado pela Editora Novo Conceito e tem 239 páginas. 

Resenha: Cartas de Amor aos Mortos

“Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger… apesar dela jamais entregá-las à professora. O que parecia uma simples lição de casa logo se transforma na maneira de Laurel lidar com seu primeiro ano em uma escola nova e com a família despedaçada depois da morte de sua irmã”.

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Laurel está passando por um momento delicado em sua vida: ela é incapaz de entender o que aconteceu com sua irmã, May e de lidar com tudo o que aconteceu depois. May era uma garota incrível aos olhos de Laurel, ela era a estrela da família e sempre cativava todos a sua volta. E de repente ela se foi, deixando Laurel sozinha. Sua mãe também teve dificuldade em lidar com a situação e decidiu mudar-se para Califórnia por tempo indeterminado. Laurel intercalava as semanas entre a casa do seu pai onde o silencio pesado prevalecia e a casa da tia Amy, uma mulher religiosa, que tinha o objetivo maior de fazer Laurel aceitar Jesus no coração para que ela não tivesse o mesmo fim que sua irmã.

Para completar Laurel decidiu mudar de escola, ela está iniciando o ensino médio e iria para a mesma escola que May estudava, mas quer evitar os olhares de pena das pessoas que sabiam de tudo que aconteceu.  Mas, como nem tudo na vida é sofrimento, Laurel faz amizade com duas garotas na escola nova, Natalie e Hannah. Além disso, ela também se encantou por um garoto de outra turma, Sky, o garoto misterioso.

Na sua primeira tarefa de inglês, Laurel precisa escrever uma carta para alguma personalidade que já morreu, ela começa e não para mais, as cartas vão de Kurt Cobain à Amelia Earhart e em cada uma ela descreve situações que estão acontecendo na sua vida, que aconteceram com ela e May. Na história da pessoa pra qual ela está escrevendo ela tenta achar uma explicação para própria vida. Explica o medo de perder suas novas amigas, o conflito que Natalie e Hannah vivem por causa de escolhas que as duas tomaram, conta sobre seu relacionamento com Sky e sobre seus mais novos amigos, o casal Kristen e Tristan.

O livro inteiro nós vimos uma Laurel que vive as sombras da sua irmã, ela veste as roupas da irmã, tenta ter o mesmo estilo, faz coisas que nem sempre é bom para ela, como beber e fumar para se sentir interagida com os novos amigos. Ela foi negligenciada pela mãe que a abandonou ao mudar de cidade, pelo pai que está vivendo sua própria tristeza, pela tia Amy, que apesar de se importar muito com ela não a ouve.

Além disso, Laurel enxerga May com uma pessoa perfeita, mesmo que nas suas cartas há passagem que mostra May sendo negligente com sua irmã.

No decorrer de cada carta Laurel vai explicando mais o que aconteceu naquele dia na ponte, o que aconteceu antes e o que levou May a fazer o que fez. Nessa ela vai descobrindo como se sente em relação a isso e no final descobre que sim, May era uma grande irmã, mas também tinha suas imperfeições.

A história parece ser bem trágica e pesada, mas a forma como foi escrita, através das cartas da Laurel, fez a leitura ficar mais leve. Vou confessar que a escritora enrola bastante antes do desenvolvimento da história. Eu também tive vontade de dar uns tapas na May em alguns momentos haha, mas acho que é uma história bem válida e também acho que é um livro que poderia ser muito bem aproveitado para ser usado em salas de aulas com pré-adolescentes, você que ler a história vai entender (adoraria contar o porquê mas, seria spoiler!).

ATENÇÃO: se alguém leu ou ler o livro, por favor, venha aqui nos comentários conversar comigo por que eu quero muuuuuito falar sobre o final dele, sério gente, eu preciso debater sobre esse final hahaha

Cartas de amor aos mortos for escrito pela Ava Dellaira, é um publicação da Editora Seguinte e tem 337 páginas.

A onda dos livros interativos

Já pensou em rasgar um livro, escrever nele ou tomar banho com ele? Loucura? Não mais! Acho que todo mundo viu o boom que o livro “Destrua este diário” fez quando foi lançado aqui no Brasil, era uma temática nova para nós. Destruir um livro? Tá louco, moço? Mas, acho que todo mundo gostou, até por que, depois dele vieram vários outros títulos com a mesma proposta, acho que até quem não gostava de livros comprou um desses só pela temática mesmo (caso verídico, uma amiga fez isso).

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Já citado, o livro mais louco que já vi. Você vai rabiscar, sujar, pintar, tomar banho com ele, tudo pra transformar o diário num lixo de livro. Na nota explicativa na primeira página a autora, Keri Smith, fala que o livro é dedicado a perfeccionistas do mundo inteiro, e não é pra menos né. No começo você realmente fica com dó de destruir e rabiscar as páginas, mas depois a coisa flui haha, alias, rabiscar é só o começo, até lamber o livro você vai (sério).

1 Página de cada vez

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Esse é meu favorito, do designer gráfico Adam J. Kurtz, o livro é tipo um diário mesmo, mas com a finalidade de desenvolver o senso criativo do leitor, uma ótima tarefa de desbloqueio. São 365 tarefas, nele você vai desenhar, criar listas, refletir, contar casos da sua vida… tem umas tarefas bem difíceis de cumprir tipo falar o que te deixa inseguro ou escrever um e-mail (de mentirinha, claro) para todas as pessoas que duvidaram de você, inclusive você mesmo.

Mais do que indicado para quem tem dificuldade de se expressar, medo de fazer tarefas onde se tem pouca habilidade (desenhar, por exemplo), medo de escrever e externar sentimentos. No final, com certeza você vai se surpreender com o quanto é capaz de criar (fala do próprio Adam).

Uma coisa muito legal que aconteceu comigo por causa do livro: quando comecei as tarefas, publiquei lá no Instagram uma foto do livro e marquei #1página. Aí o próprio Adam J. Kurtz CURTIU MINHA FOTO. Quase cai de costas quando vi, fiquei d-e-s-m-a-i-a-d-a haha.

Termine este Livro

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Mais um da Keri Smith, acho que é o mais sério dos três livros aqui citados. Logo no começo já tem a instrução para não pular páginas e entregar o livro para outra pessoa caso você não seja capaz de conclui-lo. Termine este Livro é praticamente um treinamento para ser um detetive, a escritora começa uma história e você vai receber todas as instruções para descobrir o desfecho dela.

Este livro trabalha muito a percepção e concentração, além de que, no final você vira praticamente um espião.

PS: essa é a primeira vez que uso fotos tiradas por mim para ilustrar um post aqui no blog, então me desculpem a falta de prática. :)

Livro: Se eu ficar

Se Eu Ficar - Gayle Forman

Eu sei que existem centenas de resenhas do livro “Se eu ficar” da Gayle Forman por aí, mas eu tinha mesmo que compartilhar com o mundo minha experiência com ele. Na verdade eu não tinha nenhuma expectativa quanto a história do livro, simplesmente porque eu não sabia nada sobre ele. Aí que eu estava na Bienal do Livro, vi e me apaixonei pela capa. Comprei, li e me apaixonei pela história.

Mia é uma garota de 17 anos, violoncelista e está prestes a entrar para Julliard devido ao seu talento para música. Ela já vem de uma família de músicos, só que seus pais são punks e ela prefere música clássica, ela é tipo a “ovelha negra da família”. Porém nada disso impede que ela tenha um bom relacionamento com seus pais e irmão.

Mia namora Adam, o vocalista de uma banda de rock, eles se conheceram nas aulas de música no Ensino Médio e ela fica um tempo sem entender o porquê de Adam escolher ela, já que os dois são bem diferentes.

Tudo parece muito bem, até que em um dia de neve Mia e sua família decidem fazer um passeio de carro, no caminho acontece um acidente, os carro deles bate em um caminhão, ao acordar logo após, Mia encontra seu próprio corpo nos destroços que sobrou do carro, ela se vê sendo levada ao hospital e vê os esforços dos médicos para salvar sua vida, porém ela não sente nada.

Ao ouvir uma conversa entre uma enfermeira e seus avós, Mia descobre que é ela quem decide se ela vai ficar ou não.

– Vocês podem achar que são os médicos ou as enfermeiras ou todos estes equipamentos que controlam o show – diz ela, gesticulando na direção dos aparelhos. – Nã-não. É ela quem controla o show. Talvez ela só esteja esperando a hora certa. (página 70)

Foi nesse momento que Mia descobriu que ela que tem o controle de tudo, a decisão de ficar ou partir é exclusiva dela. Neste momento o livro vai contando sobre algumas histórias da vida dela que se encaixam com os momentos que ela está no hospital. Ela lembra como conheceu Kim, sua melhor amiga; como conheceu Adam e lembra-se do dia do nascimento do seu irmão, entre outras coisas.

Paralelo a isso, Adam e Kim estão desesperados para ver Mia e fazem de tudo para conseguir entrar na UTI, enquanto ela fica na angustia de encontrar Adam. Além disso, ela tem que fazer a escolha mais importante da sua vida.

“Se ela eu ficar” foi devidamente devorado por mim em dois dias, fazia tempo que eu não me sentia tão presa a um livro como este. Tentei me colocar no lugar da Mia tantas vezes que quase enlouqueci haha. Superou todas as minhas expectativas, mesmo eu não conhecendo a história antes, deduzi que era bom já que várias pessoas falaram dele. Gostei tanto que recomendei a leitura para todo mundo que eu conheço.

O livro tem continuação, se chama “Pra onde ela foi” e será lançado dia 6 de outubro e no dia 4 de setembro é a estreia da história nos cinemas, tendo a Chloë Grace Moretz, aquela linda, no papel de Mia.

“Se eu ficar” é uma publicação do Grupo Editorial Novo Conceito e tem 224 páginas.

“Às vezes você faz escolhas na sua vida, e às vezes as escolhas fazem você. Essa é a beleza das coisas.” 

Trailer do filme <3

Crônica: O que a vida oferece (Feliz por nada)

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Sexta-feira (22) começa a Bienal do Livro de SP e para comemorar tal fato vou dar inicio a um Esquenta Bienal, postando todos os dias a resenha de um livro que li.

Pra começar, a resenha de hoje é na verdade uma das crônicas do livro “Feliz por nada” da Martha Medeiro, que é aquele tipo de livro que você tem que ler bem devagarinho. Ao invés de fazer uma resenha do livro todo, decidi postar as histórias que mais gostei.

Não tenho um resumo muito bom da crônica de hoje, apenas tive vontade de sair por aí para ver a vida acontecer.

“Conversando outro dia com um senhor saudosista, ele me contou que, quando sua filha tinha uns dez anos de idade, ele costumava pegá-la pela mão e propunha: “vamos dar uma volta na rua para ver o que a vida oferece”.

Tanta gente aí esperando ansiosamente para ver o que a vida oferece, só não sai de casa, e quando sai, não tem o olhar curioso nem o espirito aberto para receber o que ela traz.

Infelizmente, já não caminhamos pela rua, a não ser num ritmo acelerado, com trajeto definido e com o intuito de queimar calorias. Marchamos rumo a um melhor condicionamento físico, o que é um belo habito, mas, flanar, não flanamos mais. Não passeamos. As ruas estão esburacadas, há muitas ladeiras, o trânsito é barulhento e selvagem, compreende-se. Mesmo assim, a despeito de todos os inconvenientes, é preciso dar uma chance à vida, colocando-nos a disposição para que ela nos surpreenda.

Ao sair sem pressa, paramos numa banca de revistas e descobrimos uma nova publicação. Dizemos bom dia para o jornaleiro e ele, gentil, nos troca uma nota de valor alto. Na calçada, encontramos um velho amigo. Ou um artista famoso. Ou alguém que sempre nos prejudicou e hoje está mais prejudicado que nós, bem feito.

Na rua, pegamos sol. Paramos para tomar um suco de maracujá com maçã. Flertamos. Um novo amor pode surgir de uma caminhada tranquila numa rua qualquer. E uma nova proposta de trabalho pode surgir de um esbarrão num ex-colega: estava mesmo pensando em te procurar, cara! Se continuasse apenas pensando, nada aconteceria.

Na rua, o jeito de se vestir de uma moça inspira a gente a resgatar uma jaqueta que não usávamos mais. Bate de novo a vontade de ter um cachorro. Descobrimos que é hora de marcar um exame minucioso no joelho direito, por que ele incomoda tanto?

Encontramos umas amigas no bistrô e paramos um instantinho para conversar, e então ficamos sabendo de uma exposição que não se pode perder. Passamos por uma livraria e damos mais uma namoradinha num livro que nos seduz. Ajudamos uma senhora que está saindo com varias sacolas de um supermercado, não custa dar uma mão. Aceitamos um folheto entregue por um garoto na esquina, anunciando uma nova cartomante que promete trazer de volta seu amor de volta em três dias. Você joga o folheto no lixo, e não no meio fio. Você compra flores para sua casa. Você observa a fachada antiga de um prédio e resolve voltar ali com uma maquina fotográfica. Você entra numa igreja, não fazia isso há anos. Reencontra um ex-namorado que passa de carro e lhe oferece uma carona. Você nem tinha percebido como havia caminhado e como estava longe de casa. Aceita a carona. Um novo amor não surgiu, mas seu antigo amor foi resgatado em menos de três dias, nem precisou de cartomante.

Pode nada disso acontecer, obvio. Mas sem dar uma chance à vida é que não acontece mesmo.”

Livro: O Teorema de Katherine

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Sabe o que eu mais gosto nos livros do John Green? Seus personagens sempre são nerds e no livro O Teorema de Katherine ele consegue fazer um personagem com essa característica ter DEZENOVE namoradas. É muito amor <3

Nosso querido João Verde dispensa qualquer apresentação e já sabemos do seu estilo de escrita, então vamos direto à história do livro: nosso personagem da vez é Colin Singleton, um ex-prodígio (na visão dele), viciado em anagramas e com uma característica bem marcante: ele só namora Katherines. E leva um pé na bunda de todas elas, o ultimo, porém, o mais traumático, além de ter sido bem no dia da sua formatura do Ensino Médio.

Após mais um pé ele decide cair na estrada na companhia do Rabecão de Satã (também quero um nome desse pro meu futuro carro haha) e do seu melhor amigo, Hassan. Andando sem rumo eles acabaram por parar em Gutshot, uma cidadezinha do Tennessee onde eles conhecem Lindsey Lee Wells que “possuía o tipo de sorriso largo e matreiro que não lhe deixa opção senão acreditar – só dava vontade de fazê-la feliz para poder continuar vendo aquele sorriso”. Lindsey era filha da dona de uma fábrica têxtil em Gutshot, atendente de um minimercado, também de sua mãe, guia turístico e paramédica em fase de treinamento.

Depois de cair a bater a cabeça, Colin tem seu momento “eureca” e descobre que ele pode representar matematicamente seu termino com a K-19, com esse gráfico ele almeja finalmente passar de um garoto prodígio para um gênio, conquistar prêmios e reconquistar sua última Katherine.

Colin e Hassan começam a trabalhar para mãe de Lindsey, Hollis, ouvindo e gravando as histórias dos moradores de Gutshot e, até se hospedam na casa delas, a “Mansão Cor de Rosa”. Nesse meio tempo, Colin tem que desenvolver seu Teorema e ele descobre que é mais difícil do que parecia, imagina só desenvolver um gráfico de relação terminante x terminado de DEZENOVE namoradas.

Apensar de ser bem inteligente e craque com a linguística, Colin não consegue contar histórias e leva quase todas as expressões ao pé da letra, como quando Hassen disse que seu pai era “rico feito um porco”, como porcos podem ser ricos? Depois de sua sabatina com Hassen ouvindo a população de Gutshot, ele finalmente consegue contar sua primeira história.

 “Eu serei esquecido, mas as histórias ficarão. Então, nós todos somos importantes – talvez menos do que muitos, mas sempre mais do que nada.”

O Teorema de Khaterine é um livro leve de se ler, apesar de toda matemática presente no decorrer da história. Os temas: nossa reação ao terminarmos um relacionamento, nossa necessidade de termos um momento eureca e de sermos eternamente lembrados por grandes feitos são tratados de maneira bem cômica e realista, no famoso estilo John Green de ser.

Além disso, o livro tem o elemento que mais gosto em romances: o desenvolver de uma amizade, adoro essas relações que nascem do nada haha, não é atoa que Colin, Lindsey e Hassen viraram meu tri0 favorito <3

No final do livro o autor adicionou um apêndice com o Teorema, sério gente o teorema existe de verdade e foi desenvolvido por um matemático amigo de Green, vale a pena conferir. E o livro é recheado de notas de rodapé, recomendo a leitura de todos, além de explicar coisar da história, trás algumas curiosidades, tipo quantos copos de água a gente deve tomar por dia, além do bom humor em cada uma delas.

O Teorema de Khaterine é uma publicação da Editora Intrínseca e tem 302 páginas.

Livro: Marina

Marina

“Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu.”

No início de 1980, Óscar Drai, então com 15 anos, sumiu por uma semana inteira, até ser encontrado, na estação de Francia, por uma policial a paisana que estava a sua procura. Ele nunca havia contato o motivo do seu sumiço, até ver um menino vagando pela mesma estação, quinze anos depois, aquela cena abriu velhas feridas.

Óscar estudava em um internato de Barcelona e seu passatempo favorito era andar pelas ruas depois das aulas, observando os velhos casarões e sua arquitetura. Em 1979 que ele decidiu se aventurar por umas avenidas semeadas de palacetes que ele ainda não havia visto, no final da rua ele se deparou uma um portão de ferro de um antigo casarão. Entre o bom senso de voltar para o internato e a fascinação mórbida por aquele lugar, Óscar acaba entrando no casarão. Ele notou uma música vinda do interior da casa e fascinado pela voz da cantora, Óscar entrou, em cima de uma mesinha ele viu um relógio de bolsou, ao pegar para examina-lo ele se deu conta de que havia uma pessoa na casa, o pânico tomou conta dele e, ao sair correndo, ele levou consigo o relógio, só depois se dando conta disso.

Dias depois, tomado pelo remorso, Óscar volta ao casarão para devolver o relógio e acaba conhecendo Marina, dona de olhos cinza profundos, ela o leva até Germán, seu pai e dono do relógio. Marina gosta de mistérios e leva Óscar até um cemitério, onde uma misteriosa mulher visita um tumulo sem nome e sempre na mesma data e na mesma hora.

Os dois tentam desvendar o mistério da mulher do cemitério e se deparam diversas vezes com o símbolo de uma mariposa negra, eles andam pelos cantos mais remotos de Barcelona, se deparam com estufas sinistras, galerias de esgoto e manequins vivos. Conhecem a história de Mijail Kolvenik, da empresa Velo-Granell e da cantora de ópera Eva Irinova, que está por trás de toda a história. Eles contam com ajuda de Florián, que era o inspetor que investigou Kolvenik anos atrás.

Em paralelo a isso, Óscar se vê apaixonado por Marina e convive com ela e seu pai, que está doente. Faz dos dois sua nova família.

Marina é um livro espirituoso, prende o leitor nas cenas de suspense (beira o terror) sem clichês e com um final intrigante, daqueles que você leva alguns dias para digerir.

Marina foi publicado pela Editora Suma de Letras e tem 189 páginas.

Livro: Quem é você, Alasca?

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“… se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão.”

Miles Halter é um garoto fissurado por célebres últimas palavras, vive um vidinha sem graça e sem amigos na Florida. Cansado disso tudo Miles decide ir atrás do que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de Grande Talvez: muda-se para escola Culver Creek, no Alabama.

Em Culver Creek, Miles conhece Chip Martin, mais conhecido como Coronel, seu colega de quarto, Takumi e Alasca Young. Coronel é um cara durão, baixinho, inteligente, que não gosta dos Guerreiros de Dia de Semana (alunos ricos que moram nas redondezas da escola) e Takumi é um japonês que gosta de rimar e fazer rap. Alasca é autodestrutiva, bipolar, inteligente, espirituosa e sensual, logo Miles se apaixona por ela, mesmo Alasca deixando claro que ama seu namorado, Jake.

Agora ele tem seu circulo de amigos, um apelido: Gordo (ele é bem magro), aprendeu a beber e fumar. Entre idas e vindas ao Buraco do Fumo, trotes, aulas extras de matemática com a Alasca, Miles até começa um breve namoro com Lara, uma aluna romena. Nem com sua nova namorada Miles deixa de amar Alasca, e ela sabe disso, levando-o cada vez mais para seu labirinto.

Quem é você, Alasca? é um livro espirituoso, daquele que você demora dias para digerir, tem uma linguagem simples e leitura leve mas, é de uma profundidade sem tamanho, o livro aborda o impacto que uma vida tem sobre a outra.

Esse foi um dos livros mais difíceis que já li, simplesmente por que, quando acabou, não consegui me desapegar dele e, também, a resenha mais difícil que escrevi, é impossível descrever em palavras o sentimento que o livro passa. Se vale a leitura? Com toda certeza cabível neste universo.

Quem é você, Alasca? é uma publicação da Editora Martins Fontes e tem 229 páginas.